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A instituição da Confissão é comprovada legitimamente dos textos que
conferem o poder das chaves, poder que deve ser exercido a modo de juízo. Tal
juízo, não pode ser proferido sem a prévia manifestação dos pecados, pois 1) um
juízo prudente e sábio não pode ser proferido sem prévio conhecimento de causa
e 2) esta não pode ser conhecida sem a confissão do penitente, visto ser ele o
único que tem realmente conhecimento do próprio pecado e de sua malícia. Não se
trata apenas de declarar perdoados os pecados, vistas as boas disposições do
penitente. Em Jo 20, 21ss, Jesus declara declara que a missão dada aos
Apóstolos é semelhante à que recebeu do Pai. Ora, Cristo não apenas prega a
remissão dos pecados ou os declara perdoados, mas perdoa-os. Portanto, assim
também os Apóstolos e seus legítimos sucessores não somente declaram o perdão,
mas perdoam, realmente, em nome de Cristo: "Àqueles a quem perdoardes os
pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão
retidos".
Durante a vida, deparamo-nos com
tentações contra a pureza, que não podem ser vencidas a não ser pela fuga.
"Levamos o nosso tesouro em vasos quebradiços", nos diz a Sagrada Escritura.
Vidros de fina composição só com grande cautela podem ser levados juntos de uma
só vez. A pureza do coração é coisa tão delicada, que só com grande cuidado pode
ser conservada. Para não perder este precioso tesouro, é preciso que fujamos
de todas as ocasiões, que fazem a virtude da pureza perigar. É preciso que
renunciemos aos vis prazeres do mundo, não concedendo liberdade aos membros, que
exigem pela natural inclinação, quer seja o amor à carne, o apego aos bens, a
maldade, etc . Jesus, conhecendo a nossa fraqueza, foi extremamente bondoso ao
instituir o sacramento da confissão, conferindo aos Apóstolos e Sacerdotes da
Igreja, o poder de perdoar pecados. No confissionário, temos a plena convicção
do perdão. Ali a alma entra doente e suja, sai sã e límpida. Infeliz do homem
que dá ao mundo os seus dias da mocidade, reservando-lhe apenas o fim da vida.
Ao fim da peregrinação, cada um terá de se apresentar ao Criador. Que será de
nós se lá chegarmos com a alma imunda e de mãos vazias? Aproveitemos,
portanto, a graça da confissão enquanto ainda caminhamos neste
mundo. |